Álcool, Cigarro, Maconha, Cocaína, Crack: qual a pior?

Drogas! Notícias diárias na imprensa tornaram-se quase banais e, pior, envolvendo doenças, criminalidade e violência de todo tipo, como acidentes, homicídios, suicídios e outros. Grandes reportagens são dedicadas ao tema. Mais recentemente, discussões sobre a legalização da maconha estão se aquecendo. A luta dos órgãos de segurança contra o tráfico de drogas se intensifica, mas já não há espaços seguros. Não há ou quase não há instituições livres da entrada e do comércio de drogas. Os pacientes nos informam que em qualquer esquina, em qualquer escola, em qualquer ambiente de trabalho elas podem ser comercializadas, sem punições. As drogas se popularizaram e não se pode prever se isto vai regredir.

Tantas pessoas têm alguém na família com problemas deste tipo que pouca surpresa nos causa, quando sabemos de mais um caso próximo de nós. Por outro lado, a notícia de que um filho está usando drogas, especialmente quando se trata de drogas como cocaína e crack, chega como uma bomba para alguns pais, que muitas vezes pensam, como um primeiro recurso, em buscar uma internação para este filho e o fazem de modo um pouco desorientado, sem ter muita clareza do que fazer, pra onde ir para obter ajuda. A Notícia do uso de drogas em casa parece prever grandes riscos e devastação e não é sem motivo. O uso, o abuso e a dependência de substâncias químicas vêm se expandindo, com início cada vez mais precoce, em todos os segmentos sociais.

Estudos científicos vêm apresentando contribuições continuamente nesta área, de modo consistente e efetivo, sempre se baseando em evidências. Apesar disto, a desinformação na sociedade, especialmente nas família e os pais, ainda é preocupante. De tal modo que se alastra a crença de que maconha é uma droga inocente, não causa malefícios. Não é raro escutar pais dizendo: meu filho está fumando maconha, mas é só maconha, nenhuma droga grave. Provavelmente, estes pais não conhecem os efeitos danosos comprovados da maconha, como no sistema nervoso central e em outras regiões do corpo, a possibilidade de dependência e também desconhecem as evidências de que, após o uso do tabaco e o álcool, funcionando como 1ª. fase de experimentação de drogas, a maconha é a droga mais comum da 2ª. fase de experimentação, servindo como “porta de entrada” para as outras drogas ilegais como cocaína, crack, ecstasy, sintéticas e outras.

Sim, o poder lesivo de cada droga varia, considerando-se se é legal ou não, o tempo que leva à dependência, o potencial de dependência, a via de administração, o tempo de efeito durante o uso, o modo de comercialização para obtenção e várias outras características psicofarmacológicas, porém, talvez saber qual droga é mais ou menos lesiva não seja a questão mais importante e sim caminhar na compreensão da grande complexidade que o tema traz.

Sabe-se que o bom tratamento exige programas multidisciplinares para tratar o abuso e a dependência, assim como das comorbidades (outras doenças comumente associadas) que podem agravar o quadro do paciente e ter impacto no tratamento e no prognóstico (o caminho mais favorável - ou menos - que a equipe prevê que a doença vai seguir). Um tratamento adequado para Dependência Química, se no estágio menos grave e sem comorbidades, pode ser realizado ambulatorialmente; há outros casos que podem ser mais adequados ao hospital-dia; porém, em casos mais crônicos ou graves, geralmente a internação em período integral se faz necessária e exige equipe que contenha médico psiquiatra e clínico, psicólogo, terapeuta ocupacional, equipe de enfermagem, assistente social, nutricionista, acompanhantes terapêuticos, grupos de mútua ajuda e outros, todos especialistas no tema. Além disto, requer o envolvimento, participação ativa e tratamento dos familiares ou que convivem mais de perto com o paciente.

Portanto, não se trata de encontrar soluções simples para o caso; ao contrário, o tratamento é longo, trabalhoso e sem soluções mágicas. Para o sucesso, demanda mudanças de pontos de vista e hábitos, a partir de reflexões profundas sobre os caminhos percorridos até então, escolhas, vínculos, planos de vida que a família tem vivido e reformulações para que estas mudanças sejam efetivas em vários níveis da realidade.

Enfim, o tratamento exige muito mais do que recursos financeiros, mas, graças a tantos esforços conjuntos de profissionais/cientistas, familiares, pacientes e voluntários comprometidos nas últimas décadas, hoje, muitos dependentes e codependentes têm a oportunidade de encontrar saúde e um modo de viver muito mais pleno de significado e realização. Em outras palavras, para a maioria dos casos, há luz sim, no final deste túnel.

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Autora: Dra. Elizabeth Zamerul Ally, médica psiquiatra, psicoterapeuta, especialista em Dependência Química e Codependência www.dependenciaecodependencia.com.br



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