
Você tem uma ideia clara da importância da comunicação nos relacionamentos afetivos? Bem…
- Eu nunca vi um bom relacionamento com uma comunicação ruim.
- Eu nunca vi um relacionamento ruim com uma comunicação boa.
- Portanto, se você quer ter um bom relacionamento (e não só na área afetiva), adquirir boa competência para se comunicar é central porque a comunicação é um dos grandes pilares dos relacionamentos.
Muitos pensam que comunicação é fácil e, por isso, não se preocupam com ela, baseados na crença de que a gente faz isso desde que nasceu. Mal ou bem, todo mundo se comunica, mas a prática mostra que não é bem assim.
Há estudos científicos que mostram que a comunicação é um processo altamente complexo, que envolve o verbal, o não verbal, o comportamento e o silêncio e que, no cotidiano do casal, pode gerar falhas (nessa comunicação) como bloqueios, ruídos, filtragens, que provocam distorções no processo.
O fracasso em conseguir se comunicar de maneira efetiva tem sido apontado por muitos estudiosos como um importante desencadeador de frustrações, ressentimentos e conflitos no relacionamento. Em outras palavras, facilmente, a comunicação no casal se mostra ineficaz.
Em razão disso, sempre tive a percepção de que uma disciplina sobre comunicação na escola é muito necessária, ou seja, todas as pessoas deveriam estudar comunicação, talvez no primeiro ou no segundo grau, dada a sua importância na vida.
No início do relacionamento afetivo, a comunicação geralmente parece mais fácil, fluida e mais abrangente. O que se observa é que, com o tempo, o casal passa a se comunicar somente no básico. Essa é uma escolha perigosa.
Na relação afetiva, é uma das chaves para o sucesso ou insucesso. Um dos problemas principais que interferem na comunicação é o “se fazer compreender”. Neste caso, frequentemente, as pessoas acreditam que compreendem o que o parceiro está querendo dizer, mas, na realidade, simplesmente não ouvem o que o outro quer dizer. Em contrapartida, o outro parceiro nem sempre sabe o que quer dizer.
Há estudos que mostram que muitos casamentos terminam porque nenhum dos cônjuges sabe ouvir. Ambos sabem apenas falar. Falam muito e desconhecem o silêncio e as pausas como elementos de harmonia.
Outros estudos demonstram que o motivo principal de se buscar uma terapia de casal é a dificuldade de se comunicar, o que gera uma situação cada vez mais caótica na relação. Por outro lado, os terapeutas de casais revelam que o problema principal que encontram nos casais é a comunicação disfuncional, o que provoca enormes danos nas relações. Não à toa, os estudos sobre comunicação estão entre os mais numerosos na literatura científica sobre o casamento.
Um dos objetivos de melhorar a comunicação é se fazer conhecer e realmente conhecer o parceiro, lembrando que ninguém é estático. As pessoas mudam e a comunicação pode ser a forma de atualizar-se dentro das mudanças que os dois vão passando na vida.
Na Codependência, enfrentamos um problema adicional na comunicação que é o da Negação ou do Autoengano. Esse é um padrão que provoca distorções absurdas na relação, pois, diante de sinais que poderiam ser evidentes para muitas pessoas, quem sofre de codependência pode não conseguir fazer uma leitura adequada. Outro problema grave são as distorções cognitivas, formas irracionais de pensar, que são introduzidas na comunicação, gerando conflitos.
Então, é preciso estudar o tema e treinar novas formas de comunicação, como, por exemplo, a Comunicação Assertiva e a Comunicação Não-Violenta. Isso pode levar à melhora da comunicação e fazer enorme diferença no relacionamento a dois, gerando maior:
- Satisfação no relacionamento – várias pesquisas já foram feitas a respeito desse tema específico no casamento e a conclusão é que a comunicação tem fundamental importância para a satisfação na relação conjugal, pois é necessária a utilização da mesma em todas as tomadas de decisões do casal no relacionamento, permitindo assim, aproximação e confiança entre os cônjuges. Em contrapartida, a comunicação pobre ou ineficaz promove insatisfação conjugal, impossibilitando, assim, que os cônjuges adquiram intimidade e um ambiente propício para um favorável desenvolvimento da relação conjugal.
- Parceria – relacionamento saudável pressupõe parceria. Assuntos que envolvem responsabilidades, finanças, filhos, sexo e outros devem ser divididos e compartilhados. É vital para o relacionamento conversar sobre tudo isso.
- Resolução de conflitos – qualquer relacionamento tem conflito. As pessoas discordam e brigam. Tudo bem, desde que a luta seja justa e que os dois sejam amáveis. Se você prefere passar por cima dos problemas para evitar uma discussão, saiba que as consequências podem ser piores. Os conflitos não trabalhados são grandes destruidores da conexão nas relações de casal, gerando rancor, mal-entendidos e distanciamentos desnecessários. Por isso, quando surgir um problema, o ideal é tentar solucioná-lo. A dica aqui é: primeiro ouça seu parceiro. Tentem compreender um ao outro e se empenhem em resolver os problemas. Por mais “óbvio” que isso possa parecer, não é. Inúmeras pessoas aprenderam a “passar um pano“ nos conflitos ou varrer os temas difíceis pra debaixo do tapete e não se esforçam em resolvê-los definitivamente. Lembre-se que os conflitos podem gerar amadurecimento e crescimento na relação.
- Conexão afetiva – contato visual, afeição física e a forma como as coisas são ditas demonstram a conexão do casal. Isso é fundamental no casamento e muitas pessoas se descuidam desse ponto tão importante. Para prosseguir investindo nessa conexão é importante continuar a expressar os sentimentos, necessidades, emoções e vontades (ou seja, comunicar-se). Além disso, criar momentos para estar 100% presente com o outro (e não cada um no seu celular, como vemos, muitas vezes). Também pode-se fazer comentários positivos e elogios sobre o parceiro. Nos relacionamentos disfuncionais, fazer isso é difícil.
- Revelação Pessoal – compartilhar opiniões sobre algo, especialmente sentimentos, permite que seu cônjuge entre em seu mundo. Abra suas emoções. Desabafar após um dia difícil no trabalho para dividir sentimentos negativos pode ser saudável. Compartilhe o que te incomoda e não deixe a raiva ou a frustração crescerem.
- Comunicação íntima – em qualquer relacionamento a intimidade é fundamental. Ela não deve ser pensada apenas no contexto sexual, embora esse também seja importante, mas ampliar-se a questões como a confiança e a cumplicidade, possíveis através de uma boa comunicação. Ser íntimo é conhecer bem o outro, as suas necessidades, os seus sentimentos. Ser íntimo significa ter abertura com o outro, sentir-se à vontade ao lado do outro, estar conectado com o outro, ser ligado a alguém de forma especial, sem medos, sem segredos.
Se você quer um relacionamento íntimo com o seu parceiro, é preciso fazer-se conhecer mútua e profundamente. Isso consiste em aceitar o outro e moldarmos o nosso comportamento. As mudanças de comportamento no casal são necessárias à relação, mas devem ser consensuais de modo a gerar harmonia, encontrando-se um ponto de equilíbrio. E isso é válido para qualquer aspecto da intimidade do casal, incluindo a intimidade sexual. Quando um casal desenvolve a sua intimidade, ganha qualidade na sua relação.
E é por tudo isso que lancei o CURSO DE COMUNICAÇÃO EFICAZ NO RELACIONAMENTO AFETIVO, com foco nas dificuldades da Dependência Emocional. Ele aborda muitos temas fundamentais da comunicação, desde conceitos básicos, de como expressar e receber mensagens, passando pelas técnicas de Assertividade, para aprender a dizer não, a dar limites de modo adequado, até a Comunicação Não-Violenta, que é uma forma revolucionária e altamente eficaz de comunicação.
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Obs.: Se você desejar copiar este artigo para posterior inclusão em qualquer mídia, pede-se que o mantenha na íntegra e adicione os créditos ao final, ou seja, Dra. Elizabeth Zamerul, médica psiquiatra (CRM-SP: 53.851), psicoterapeuta, especialista em Dependência Química e expert em Dependência Emocional.
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